“Prazo de validade do governo” explica a pressa para transferir o máximo de recursos para os bancos no menor tempo

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“Prazo de validade do governo” explica a pressa para transferir o máximo de recursos para os bancos no menor tempo

Pense na seguinte situação: um comerciante é eleito vereador na sua cidade. No meio do mandato, há a oportunidade desse vereador aprovar um projeto de lei que, por “coincidência”, irá beneficiar o ramo de atuação do seu comércio.

Sabendo que o mandato é temporário e que um dia ele irá voltar para sua atividade comercial, o novo vereador força a aprovação desse projeto.  Mesmo sem bons argumentos, muita gente influente concorda com a sua aprovação.

Passados os quatro anos de mandato, o agora ex-vereador está de volta ao seu ramo de atuação comercial e pode aproveitar, já que seus negócios foram favorecidos pela legislação. Agora ele ganhará muito dinheiro.

Nessa situação hipotética, foi possível ver como interesses particulares e interesses públicos foram confundidos.

Esta prática está presente no Governo Federal e, aliás, parece ser uma das principais motivações do ministro da Economia, Paulo Guedes, que causa prejuízos milionários para o Estado brasileiro e trata o setor público como balcão de negócios da iniciativa privada.

Como veio do sistema financeiro (foi banqueiro por mais de 25 anos), Guedes representa os interesses do mercado financeiro, e quer usar o tempo que tem no governo para destinar o máximo possível de recursos para a própria área de atuação.

Por isso, todas suas metas (privatizações, propostas de emenda constitucional e outras medidas econômicas) sempre têm como pano de fundo destinar mais recursos para o pagamento da tal “dívida pública” (nunca auditada, que consome quase metade o orçamento do governo e, mesmo assim, não para de crescer).

A regra é: diminuir o Estado, privatizar e usar o dinheiro das privatizações para pagar as dívidas com bancos, para onde Paulo Guedes provavelmente voltará após o governo Bolsonaro.

 

Um banqueiro no balcão de negócios

 Paulo Guedes é um dos sócios-fundadores do banco BTG-Pactual (guarde essa informação). Sem acumular nenhuma experiência no setor público, foi convidado para assumir o “superministério” da Economia de Jair Bolsonaro, ainda antes da eleição, em um movimento do futuro presidente para conquistar apoio do mercado.

Acontece que, com essa nomeação, Guedes também ganhou poder para beneficiar seus interesses e de aliados. Vejamos um exemplo.

Em julho de 2020, o Banco do Brasil fez a primeira transação de sua história que envolveu créditos de fora de seus conglomerados. Na ocasião, o banco estatal vendeu uma carteira de créditos para um outro banco, mas por um valor bem menor do que valia.

A carteira era avaliada em cerca de R$ 2,9 bilhões, mas foi vendida por pouco mais de R$ 300 milhões, ou seja, o Banco do Brasil fez um péssimo negócio pois deixou de arrecadar uma parte considerável com a venda. Mas, para o banco comprador, a transação foi maravilhosa.

E quem era o banco comprador? Sim, o BTG-Pactual, aquele fundado por Paulo Guedes, onde trabalham muitos de seus amigos e para onde o próprio Paulo Guedes provavelmente vai voltar depois de ser ministro de Bolsonaro.

“Negócio da China”? Que nada. Negócio do Brasil de Bolsonaro.

 

Ao final, é sempre dinheiro

Mesmo que o exemplo acima possa ser algo pontual, é importante lembrar que o que guia o discurso e as ações econômicas do ministro da Economia é a redução do tamanho do Estado brasileiro.

Sem o setor público são abertas alternativas para o setor privado atuar, por meio das privatizações e das terceirizações. O papel de Paulo Guedes, como representante dos interesses do mercado, é garantir que os empresários tenham controle do máximo de serviços que antes eram tocados pelo governo.

Com isso, além de garantir uma “boquinha” para os amigos, o ministro pode continuar com o discurso de reduzir a “dívida” brasileira, que nada mais é do que pagamento de juros altíssimos (e sem controle) a banqueiros e agentes do mercado financeiro.

Essa dívida é paga, justamente, com a liquidação do patrimônio público por meio de vendas ao setor privado que, como vimos no exemplo, é cheia de conflitos de interesse e operada com valores abaixo do mercado.

A mesma lógica está presente nos principais projetos do governo para alterar a Constituição. A Reforma da Previdência e a PEC Emergencial (já aprovadas), assim como a Reforma Administrativa, a PEC dos Fundos e a PEC do Pacto Federativo têm esse fator em comum: aumentar os repasses de recursos públicos para o sistema financeiro.

No fim, isso explica por que Paulo Guedes parece aquele samba de uma nota só.

 

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