Reforma Administrativa legitima corrupção, rachadinha e mamata

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Reforma Administrativa legitima corrupção, rachadinha e mamata

Por que um governo que foi eleito com um discurso de combater a corrupção quer aprovar um projeto que vai elevar a corrupção a níveis inacreditáveis?

Resposta a) porque ele nunca pretendeu realmente acabar com a corrupção

Resposta b) a resposta a está correta.

A forma com a qual o governo trata a Reforma Administrativa é pura hipocrisia!

As elites do Brasil (política, social e econômica) dizem que sua aprovação é urgente e necessária para o país sair da crise.

Para enganar a população, usam notícias falsas para acobertar o que o projeto realmente fará no serviços público brasileiro: a legitimação das práticas de rachadinhas, mamata e corrupção.

 

Legitimação dessas práticas? Como assim?

Pois é.

A ideia é absurda, mas é real.

Veja como a Reforma vai legitimar essas práticas:

 

>> Corrupção:

Nas relações humanas, corrupção está relacionada ao suborno, que é o ato de prometer, oferecer ou pagar (dinheiro ou favores) para que alguém não se comporte eticamente em sua função profissional.

No Brasil, corruptores e corrompidos são considerados criminosos. Mas a Reforma Administrativa vai dar ainda mais espaço para eles.

O primeiro passo: reduzindo a proteção dos servidores contra o assédio dos políticos e dos governantes.

Um dos objetivos principais da Reforma Administrativa é acabar com a estabilidade no funcionalismo. Sem ela, os trabalhadores serão perseguidos e demitidos caso denunciem más condutas ou corrupções cometidas na administração pública.

E não é tudo.

A Reforma possibilita que 100 mil “cargos de liderança e assessoramento”. Tratam-se de indicações políticas, sem qualquer qualificação técnica e sem passar por concursos públicos. O loteamento político vai rolar solto.

Imagine corruptos indicando amigos para órgãos de caráter policial ou de fiscalização. O que aconteceria com as investigações?

Imagine desmatadores indicando amigos para órgãos que combatem o desmatamento, como o Ibama. Ou produtores e empresários que utilizam trabalho escravo indicando amigos para órgãos que fiscalizam condições de trabalho.

Poderíamos dar muitos outros exemplos, mas esses já são suficientes para mostrar que um dos objetivos é deixar o país nas mãos de corruptos e de criminosos.

Além de impactar negativamente a qualidade dos serviços públicos, a contratação de pessoal não concursado poderia representar a contratação de “laranjas” e de “fantamas” – uma brecha escancarada para a prática de rachadinhas, que você vê abaixo 👇.

 

>> Rachadinha:

Todo político eleito recebe uma verba de gabinete para contratar servidores e assessores.

Só para exemplificar, veja as verbas de gabinete no Paraná:

  • Todo mês, cada um dos 54 deputados estaduais recebem R$ 96,5 mil para pagarem até 23 comissionados;
  • Já os 30 parlamentares da bancada federal do estado usaram mais de R$ 32 milhões de verba para o pagamento de comissionados, em 2019.

A rachadinha ocorre quando parte do salário desses funcionários é repassado para o político pelo assessor que o contratou ou enviado diretamente para o político.

Isso ocorre tanto com funcionários que frequentam os gabinetes como os fantasmas (aqueles que nunca aparecem mas recebem salário mesmo assim).

Em geral, é um esquema de políticos provincianos (vereadores nas câmaras municipais e funcionários de baixo escalão, por exemplo) e parlamentares de baixo clero (pouco influentes nos processos políticos do Parlamento, e mais ocupados com interesses pessoais ou de sua base eleitoral).

Alguns usam esses recursos para enriquecer, outros para usar na própria reeleição. Geralmente para as duas coisas, como o Brasil tem tomado conhecimento recentemente.

Parte desse recurso retorna para o político, por exemplo, em dezenas de pequenos depósitos para tentar fugir da fiscalização dos órgãos de controle, ou nas contas correntes de suas esposas, como depósitos ou cheques sem explicação.

Agora, imagine governantes e políticos podendo indicar apadrinhados, laranjas e fantasmas para uma infinidade de cargos, para depois ficar com parte dos salários. Se isso já acontece, vai se multiplicar muito mais.

 

>> Mamata:

Mamata é o termo popular para dizer que algo foi obtido de maneira fácil, sem esforço.

Na política, mamata é o ganho financeiro ilícito, conseguido às custas do Estado por meio de suborno, tráfico de influência, negociata, roubo etc., favorecendo o enriquecimento desregrado do político que a comete.

A Constituição Federal de 1988 colocou o serviço público sob a responsabilidade de servidores concursados justamente para acabar com os “cabides de emprego”, tão comuns na época da ditadura militar, por exemplo.

Com a Reforma, o governo permitirá o total loteamento de cargos, distribuído para apadrinhados. Com isso, o governo pretende agradar a parte mais podre da política brasileira, que irá se esbaldar indicando amigos e parentes.

O governo acredita que, com isso, conseguirá ter mais apoio político para aprovar outras medidas que também serão prejudiciais para a população.

Além disso, o governo também terá carta branca para a contratação de empresas particulares para a prestação de serviços públicos, transferindo volumosos recursos para agradar os setores mais ricos da sociedade, em busca de mais apoio. E de mais dinheiro para futuras campanhas.

Para quem dizia que a mamata estava acabando, agora ficou claro que está apenas começando.

 

O Brasil vai retroceder mais de 30 anos

A aprovação da Reforma Administrativa (PEC 32/2020) fará o Brasil perder mais de 30 anos de avanços, tanto no serviço público como no exercício da cidadania.

O retorno do apadrinhamento político e a invasão do funcionalismo por pessoas sem formação, capacitação ou habilidade técnica necessária para o atendimento à população será uma mamata para os verdadeiros aproveitadores do país.

Assim como usaram a mentira para enganar o povo com falsas promessas e aprovar a Reforma Trabalhista e a Reforma da Previdência, a Reforma Administrativa trará uma onda de corrupção como nunca se viu.

Ou a população ajuda a barrar esse projeto, ou o Brasil viverá o famoso “make mamata great again” (faça a mamata grande novamente).

Defenda o serviço público, porque ele sim é para todos.

 

 

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