Velha mídia e Reforma Administrativa: a novela que o povo brasileiro não quer ver

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Velha mídia e Reforma Administrativa: a novela que o povo brasileiro não quer ver

Certamente, você já ouviu a velha mídia dizer que a aprovação da Reforma Administrativa – Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 32/2020 – “vai modernizar os serviços públicos”.

Mentir para conseguir aprovar projetos que beneficiam apenas os mais ricos não é novidade para o governo.

Eles também mentiram quando disseram que a Reforma Trabalhista (2017) iria “gerar 4,3 milhões de novos empregos”. A realidade mostrou justamente o contrário: empregos sólidos foram substituídos por empregos precarizados (principalmente intermitentes) e apenas serviu para reduzir a qualidade de vida da massa de assalariados.

Também falaram que a Reforma da Previdência (2019) “formaria 6 milhões de novos postos de trabalho” mas, segundo um estudo da Unicamp, a expectativa é que 5 milhões de postos de trabalho sejam extintos, já que a economia será profundamente afetada, com menos dinheiro circulando.

O problema maior é quando a mídia reproduz a mentira do governo. Há sempre interesses obscuros por trás disso.

Assim como não ocorreu com as reformas anteriores, a PEC 32/2020 não vai “criar empregos” nem “reduzir gastos da máquina pública” – até porque o funcionalismo não traz prejuízos ao Brasil.

Se é assim, por que a imprensa tradicional está fortemente alinhada a todo tipo de retirada de direitos da população? Quais interesses estão envolvidos?

 

Vale Tudo

No Brasil, mais de 60% dos grandes veículos de comunicação estão nas mãos de apenas oito famílias, que são donas de redes de televisão, rádios, jornais impressos, revistas variadas, portais de internet, empresas de mídia e até gravadoras. É cada vez mais comum o uso cruzado de conteúdos (para economizar, jornais replicam matérias de outros jornais).

Apesar de proibido pela Constituição Federal, é este oligopólio que atua para determinar o que mais de 200 milhões de brasileiros terão (ou não) conhecimento. E mais: que projetos apoiarão, como se comportarão, quais setores sociais “odiarão”…

Na maioria dos países considerados desenvolvidos (Inglaterra, Estados Unidos, Alemanha, França e outras) essa propriedade cruzada de meios de comunicação é proibida porque enfraquece a disseminação de visões diferentes de mundo.

Mas no Brasil, tamanho poder é usado para mover a sociedade em benefício de quem eles quiserem.

Consequentemente, a velha mídia omite ou expõe o que deseja com o apoio de grandes corporações (seus anunciantes e patrocinadores), partidos políticos e outras elites nacionais e internacionais, quando seus interesses se combinam.

Para prejuízo da população e da democracia, nada disso têm a ver com melhorar o bem-estar coletivo.

Aliás, é por isso que eles tratam de forma negativa praticamente tudo o que diz respeito aos interesses e necessidades do povo, especialmente os serviços e os servidores públicos.

E é aqui que a novela da Reforma Administrativa com a velha mídia começa.

 

A favorita

A Reforma Administrativa visa entregar para a iniciativa privada serviços públicos essenciais, incluindo a Saúde e a Educação.

Os serviços não seriam mais prestados por servidores, mas sim por indicados políticos, sem a necessidade de critérios técnicos (acabando com a proteção social que ocorre hoje, por meio dos concursos públicos).

Mais de 100 mil cargos poderão ser ocupados por esses apadrinhados.

E o que a velha mídia tem a ver com isso?

Puro interesse nos recursos públicos. Se a PEC 32 passar, a verba que hoje é destinada ao financiamento dos direitos essenciais do povo será tomada pelas elites que a imprensa tradicional representa.

 

Império

O que as empresas de mídia tradicional não contam é que o maior gasto do governo é com o pagamento de juros, rolamento e amortização da dívida com o sistema financeiro, que consome quase 40% do orçamento federal a cada ano. Mais de R$ 1 trilhão!

Por que elas escondem isso? Porque os bancos brasileiros estão entre seus maiores anunciantes. É por isso que, embora tenham sobrado apenas um punhado de grandes instituições bancárias no país (ou seja, poucas chances de perder clientes, pela falta de concorrência), eles continuam gastando muito dinheiro em propaganda.

Resumindo: eles “compram” a linha editorial desses veículos.

 

O Rei do Gado

Além de publicar apenas notícias negativas sobre os serviços púbicos, a velha mídia vem tentando convencer os brasileiros a apoiarem a Reforma Administrativa por meio de diversas artimanhas, como:

  • Seminário E agora, Brasil?: realizado pelos jornais Valor e O Globo (ambos do mesmo grupo), e patrocinado pela Confederação Nacional do Comércio – entidade patronal que representa setores econômicos ansiosos para colocar as mãos nos recursos públicos
  • Estudos neoliberais do obscuro Instituto Millenium: veiculados pelos grupos Globo e Estadão, e elaborados por personalidades influentes da mídia, do setor financeiro, da Globo e do Governo Federal
  • Matérias frequentes: para fazer a população acreditar que os servidores públicos seriam todos privilegiados e inimigos do povo;
  • Dentre muitas outras.

 

Ao fazer isso, a velha mídia dá um “tiro no próprio pé”, afinal, apesar de atuarem geralmente a favor dos mais ricos e das elites, os veículos são massacrados quando resolvem fazer jornalismo de verdade e denunciam crimes e barbaridades cometidas por políticos e governantes apoiados por setores extremistas da sociedade.

 

O Bem-Amado

Enquanto a velha mídia propagandeia a favor do desmonte dos serviços públicos, o povo padece cada vez mais, nenhum verdadeiro privilégio é combatido, as contas públicas não diminuem, e novos empregos não surgem.

Já as elites e a velha mídia fazem a festa, afinal o que importa é lucrar às custas das necessidades do povo.

Nessa história, você é “a próxima vítima”, porque o único “bem-amado” para eles é o orçamento público.

 

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